Foi andando distraída que eu a encontrei. Num momento em que não me preocupava, não buscava nada, não planejava encontrá-la, percebi no meu riso tons escarlates, cor-de-rosa que antes haviam desbotado. E na cabeça uma paz azul-anil que constantemente olhava para o céu sem ver limite algum. Aí está, de um segundo para o outro bate e nocauteia o ideal de felicidade que já tínhamos em mente. Um ideal que de tão exagerado e polido nos faz esquecer de quão simples e delicada a felicidade realmente é.
E por mais que em muitos desejos para estrelas cadentes eu tenha sussurrado: "Desejo ser feliz", no fundo eu sei que este não pode ser meu objetivo, mas faz parte do meu caminho. Não é possível andar por todo o trajeto com um sorriso verdadeiro nos lábios do mesmo jeito que não é possível ao Sol brilhar incandescentemente através dos dias e das noites. O que é bom, pois a questão não é ser feliz ininterruptamente, e sim que seja raro, e intenso, periódico. E a beleza está na candura. Procurar ser feliz o tanto quanto possível...
Não é preciso buscar a felicidade como se fosse chaves que você, distraído, perdeu. Conquiste o que te faz feliz e o que o faz de um jeito singelo. Afinal não é complicado. Somos nós que complicamos. Os momentos mais difíceis serão aqueles em que perdemos pessoas e coisas que amamos, afinal muitas felicidades da vida são compartilhadas, naturalmente. É por isso que é importante também saber reconhecer algumas felicidades internas que ninguém, nem nenhum desapontamento, pode tirar de você. Um lugar, um sonho bom, um sabor, um som. Viver alternando entre pessoas e sensações só pode ser o valioso segredo para ser feliz.
Porque não tem preço nem medida: É uma grande viagem para longe tanto quanto é um quarto tranquilo para descansar. Felicidade é um acordo, um trato. É do tipo "eu te dou meu coração e você me dá o seu". É, sobretudo, a troca. Dividir para conquistar. Multiplicar. Felicidade são os pequenos gestos, os detalhes. Vem em pequenos frascos. É um abraço que nos invade de paz. Paz instantânea que dá gosto, e saudade...

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