As pessoas mexem com o amor sem as vezes nem ter noção de sua dimensão, apenas conhecendo sua intensidade... Pois é essa intensidade inicial, entusiasta, incontrolável, que seduz, que anseia todos os encontros, todos os detalhes, e torna o sentimento tão parecido com mágica, com purpurina, tão... único. Essa é a parte fácil: as flores, o romance, o encanto. Acompanhada da melhor sensação do universo, tudo do mais doce que nos lábios antes nunca sentira, todo o conforto do mundo reunido, envolvido e transmitido por mãos, braços, abraços... Um olhar que só de pairar sobre ti te desvenda; A incapacidade de fuga dessas sensações é transparente: quem experimenta do amor, é transformado e vira vício amar de volta.
Só que essa só é a camada mais superficial de um relacionamento. Essas são só as faíscas, que não são capazes de se igualar ao potencial de fogo que realmente é o amor. Fogo de tamanho poder que facilmente subordina quem ousa senti-lo. E, depois de um tempo, cava-se mais fundo, as faíscas acabam se apagando, as flores murcham, e se a relação precisar delas para ser enfeitada, não se sustenta por muito. O romance é invadido pela convivência, e vira ocasional, gracejo. O encanto inicial não dura para sempre, e se não há nada concreto por baixo dele, está acabado. Quando comprometemo-nos, por mais que prometamos somente amar, devemos muito mais: saber manejar esse amor, colocá-lo em manutenção, respeitar sua delicadeza, e fortalecer sua resistência... Saber estar lá para as necessidades de outra pessoa, sobre às suas. É diálogo, mas, mais importante, é a ação que põe essa harmonia em prática. Instigar as paixões no outro, as curiosidades, não deixar morrer o que era novidade ao mesmo tempo que se constrói hábitos, rotinas, manias... Nem todos os dias serão ensolarados, mas sempre há como aprender a dançar na chuva. Relacionamento é isso, no final, uma dança imprevisível, constante, de altos, baixos, giros e, ocasionalmente, quedas. Lide com isso... Ou saia da pista.






