... Porque com palavras pode-se voar.

18 de outubro de 2012

Faíscas não perduram

    As pessoas mexem com o amor sem as vezes nem ter noção de sua dimensão, apenas conhecendo sua intensidade... Pois é essa intensidade inicial, entusiasta, incontrolável, que seduz, que anseia todos os encontros, todos os detalhes, e torna o sentimento tão parecido com mágica, com purpurina, tão... único. Essa é a parte fácil: as flores, o romance, o encanto. Acompanhada da melhor sensação do universo, tudo do mais doce que nos lábios antes nunca sentira, todo o conforto do mundo reunido, envolvido e transmitido por mãos, braços, abraços... Um olhar que só de pairar sobre ti te desvenda; A incapacidade de fuga dessas sensações é transparente: quem experimenta do amor, é transformado e vira vício amar de volta.
     Só que essa só é a camada mais superficial de um relacionamento. Essas são só as faíscas, que não são capazes de se igualar ao potencial de fogo que realmente é o amor. Fogo de tamanho poder que facilmente subordina quem ousa senti-lo. E, depois de um tempo, cava-se mais fundo, as faíscas acabam se apagando, as flores murcham, e se a relação precisar delas para ser enfeitada, não se sustenta por muito. O romance é invadido pela convivência, e vira ocasional, gracejo. O encanto inicial não dura para sempre, e se não há nada concreto por baixo dele, está acabado. Quando comprometemo-nos, por mais que prometamos somente amar, devemos muito mais: saber manejar esse amor, colocá-lo em manutenção, respeitar sua delicadeza, e fortalecer sua resistência... Saber estar lá para as necessidades de outra pessoa, sobre às suas. É diálogo, mas, mais importante, é a ação que põe essa harmonia em prática. Instigar as paixões no outro, as curiosidades, não deixar morrer o que era novidade ao mesmo tempo que se constrói hábitos, rotinas, manias... Nem todos os dias serão ensolarados, mas sempre há como aprender a dançar na chuva. Relacionamento é isso, no final, uma dança imprevisível, constante, de altos, baixos, giros e, ocasionalmente, quedas. Lide com isso... Ou saia da pista.


5 de agosto de 2012

Felicidade

    Foi andando distraída que eu a encontrei. Num momento em que não me preocupava, não buscava nada, não planejava encontrá-la, percebi no meu riso tons escarlates, cor-de-rosa que antes haviam desbotado. E na cabeça uma paz azul-anil que constantemente olhava para o céu sem ver limite algum. Aí está, de um segundo para o outro bate e nocauteia o ideal de felicidade que já tínhamos em mente. Um ideal que de tão exagerado e polido nos faz esquecer de quão simples e delicada a felicidade realmente é.
    E por mais que em muitos desejos para estrelas cadentes eu tenha sussurrado: "Desejo ser feliz", no fundo eu sei que este não pode ser meu objetivo, mas faz parte do meu caminho. Não é possível andar por todo o trajeto com um sorriso verdadeiro nos lábios do mesmo jeito que não é possível ao Sol brilhar incandescentemente através dos dias e das noites. O que é bom, pois a questão não é ser feliz ininterruptamente, e sim que seja raro, e intenso, periódico. E a beleza está na candura. Procurar ser feliz o tanto quanto possível...
   Não é preciso buscar a felicidade como se fosse chaves que você, distraído, perdeu. Conquiste o que te faz feliz e o que o faz de um jeito singelo. Afinal não é complicado. Somos nós que complicamos. Os momentos mais difíceis serão aqueles em que perdemos pessoas e coisas que amamos, afinal muitas felicidades da vida são compartilhadas, naturalmente.  É por isso que é importante também saber reconhecer algumas felicidades internas que ninguém, nem nenhum desapontamento, pode tirar de você. Um lugar, um sonho bom, um sabor, um som. Viver alternando entre pessoas e sensações só pode ser o valioso segredo para ser feliz.
   Porque não tem preço nem medida: É uma grande viagem para longe tanto quanto é um quarto tranquilo para descansar. Felicidade é um acordo, um trato. É do tipo "eu te dou meu coração e você me dá o seu". É, sobretudo, a troca. Dividir para conquistar. Multiplicar. Felicidade são os pequenos gestos, os detalhes. Vem em pequenos frascos. É um abraço que nos invade de paz. Paz instantânea que dá gosto, e saudade...



7 de julho de 2012

Perder-se ou perdê-lo?

Quem nunca, certo? Encontrei-me tropeçada nesta questão pela primeira vez na minha vida, e tive que decidir rápido e responder instintivamente. Alguém tinha finalmente tocado na ferida. Sem vacilar. Provavelmente se não houvesse bagagens, passados, cicatrizes pra mim não haveria descrença. Não existiria nem a questão. Cuspiria um agitado e impelente "Sim, sim, sim!", e não a resposta titubeante que se seguiu. Um tímido e titubeante, porém positivo, "sim".
É que eu, que estava a praticar o desapego, fui pega desprevenida. Eu dei o melhor de mim em não me envolver com outro alguém, prometi não deixar ninguém chegar perto o bastante. Uma vez que toma riscos e se machuca você só quer evitar de estar vulnerável novamente. Mas devo ter me descuidado, pois quando percebi encontrei algo que me fazia realmente bem. Algo que me fez esquecer de todo sofrimento que amar já me trouxe. Vesti minha armadura, me cerquei barreiras, tentei e tentei me afastar de tudo isso até perceber que era inútil e, sobretudo, injusto. Não importava quantos motivos eu tivesse, nenhum seria o bastante para me impedir de ser feliz novamente. Por mais que parecesse um movimento errado, precipitado, impensado, era também inevitável. Natural e incessante como as incansáveis idas e vindas das ondas do mar, que não desistem de beijar a costa, não importa quantas vezes são dispensadas. Como sempre, eu tinha que viver isso para crer. Sentir isso para não me arrepender.
Pode até ser indevido colocar nosso coração em outras mãos, ou confiar nossa felicidade em outras presenças, mas mais indevido ainda é viver sem consistência. É displicência alimentar tal dependência, só não sei ignorar desejar te ver com tantas urgências... Então se provocou, conquista. E se conquistou, aguenta. Se for para entrar nisso, eu vou arriscar e jogar com tudo que eu puder. Eu só preciso do mesmo de você. Não se trata mais de mim, dos meus medos, dos meus traumas, do meu passado. Trata-se de nós, e de tudo de bom que pode vir disso. Tempos de guerra, meu bem, só preciso de algo que me fortaleça. Só quero um futuro, uma paz.

20 de junho de 2012

Se nossas linhas não fossem tão tortas...


[...] não teriam se cruzado. (Tati Bernardi)

19 de junho de 2012

Ciúme


    Para mim, uma das piores coisas para se sentir. No geral, é só estúpido. Impensado. É você se apegar a alguma coisa e presumir que você tem a posse desta. Chega até a ser imoral! As pessoas acham que sentir ciúme é a prova de que amam, mas isso não é verdade. Ciúme é só uma descarga de insegurança. Sentimento carente, passional, que sempre nos causa a impressão de que estamos certos. Mas nem sempre é certo reivindicar tais direitos sobre alguém. É só estupidamente inevitável.
    E aí encontramos aquela pessoa maravilhosa, que nos faz sentir tão bem, e a amamos muito, tanto, e esse sentimento angelical nos leva aos piores vícios e dependências... Irônico amor. Eu sinto ciúmes. Do que é meu, do que não é, do que deveria ser, do que eu queria que fosse... Queima, desespera! Agoniza-me até a última gota de sangue quente, pulsante, colérico, alterado. Nos despe de força, orgulho e senso. De limites.
    Mas passa. Eu acabo xingando ele, xingando ela, xingando a mãe, a vizinha, o cachorro e o papagaio, descontando em quem não tem nada a ver com isso, e passa. É controlável pelo desencargo, é erradicado pelo tempo. Só espero pelo dia que poderei vê-lo e ser capaz de dizer a mim mesma:

"Tanto faz, tanto fez."

De molho


    Quantas vezes uma pessoa pode se destruir e se reinventar? Deve existir uma capacidade, e um limite, afinal todo poço chega ao fundo. Sabe aquilo de doar-se de alma em tudo o que tenta? Não que eu me doe porque pretendo, mas sim porque simplesmente sou incapaz de não fazê-lo. E tudo sempre funcionou assim na minha vida, as vezes bem e as vezes mal, mas funcionava. Até que cansou. Tudo que tentei e deu errado ficou para trás e arrastou consigo parte de mim. Por vezes sinto-me no limite de mim mesma. Repleta de dúvidas: será que a cada pedaço irei sumir? Se minha fé nisso de amar já está abalada, quanto vai demorar para que o coração se torne de pedra, a pele de espinhos, e as lágrimas de areia? 
    O pior: a decepção provoca carência, que nos faz acreditar que precisamos nos apaixonar de novo. Há alguma maneira de quebrar este ciclo vicioso? Viver em começos, meios, e fins já deu para mim. Perdi o pique de tentar, de me jogar de olhos fechados em qualquer conto de fada barato que me é apresentado, pois o final nunca é feliz como o prometido. Hoje é essa a percepção que tenho do amor, é loucura provocar tal avalanche sabendo que no fim vai te soterrar. No gelo e no frio. Claro que é ultra pessimismo levar isso a ferro e a fogo, mas uma vez que a ilusão acaba e o ceticismo se instala fica difícil manter-se otimista. Um dia estava inteira e hoje estou danificada, porém ainda incompleta. 

   É viver com medo dos tipos de encantos que pode-se encontrar na próxima esquina. Eu amarguei como um chocolate que você se empanturra e não faz mal para você mesma. Mas não tem graça como o mal que o excesso de açúcar faz. Eu amarguei para o amor, estou de molho. E da próxima vez que tentarem vender-me tal fantasia, vou pensar na proposta, e se de nada valer piscarei forte os olhos e me afastarei da ilusão: "Só um chá e a conta, por favor".


24 de maio de 2012

Basta te ver

[...] para estremecer. Ouvir tua voz, para me esvair. Lembrar de ti, e me perder.