... Porque com palavras pode-se voar.

12 de julho de 2011

Ele-Ela

Ela estava farta. Ele estava cansado. Ela foi reclamar dele, ele não gostou. Eles brigaram. Ele foi embora, ela ficou parada no mesmo lugar. Ele enxugou as lágrimas a caminho de sua casa. Ela desabafou todas elas no travesseiro. Ela estava magoada. Ele também.

Em casa, ele estava sozinho. Já ela, não estava, por isso chorava baixo. Ele pegou as fotos dela e se permitiu viajar naquelas boas lembranças. Ela escutou várias vezes aquela música que a lembrava dele. Ele ligou para um amigo. Ela também. O amigo dele prometeu que naquela noite ele não iria se lembrar dela. A amiga dela prometeu que ficaria ali para confortá-la. Ele sentia falta dos olhos dela. Ela também.
Anoiteceu, e ele tomou um banho para revigorar. Ela se enrolou nas cobertas para descansar. Ele saiu com seu amigo para um bar. Ela assistia a um filme de amor. No bar, garotas mais bonitas que ela olhavam para ele. Em casa, casais mais felizes que eles passavam na televisão. Ele se entupiu de álcool. Ela se entupiu de chocolate. Ele não queria estar ali; ela também não.
Ele se engraçou com uma garota mais velha. E era como se ela estivesse presenciando, pois sentia facadas no estômago. Ele virou mais uma dose de vodka. Ela virou mais uma caneca de chá. Ele contou sua vida ao garçom, aos prantos. Ela também chorava. O amigo dele decidiu que era melhor irem embora. A amiga dela decidiu que ela devia esquecê-lo. Ela não queria esquecer. Ele não queria viver. Ele apagou no chão do bar. Ela chorou até dormir.
Ela acordou achando tudo indiferente. Ele acordou se sentindo um lixo. Ela queria vê-lo. Ele também. Ela queria ligar. Ele foi até a casa dela. Ela atendeu a porta de pijama e com os olhos inchados. Ele contou o que acontecera ontem. Ela estava decepcionada. Ele lhe pediu desculpas. Ela acorrentou suas lágrimas bem fundo de si mesma e perdoou. Mas ele sabia que ela não iria esquecer. Ela inventou que tinha que ir, ele lhe prometeu que a procuraria mais tarde.
Fechou-se a porta. Ela congelou aquele momento e ficou encarando esta. Ele ficou parado na mesma posição e fez o mesmo. Lágrimas nervosas invadiram o rosto triste dela. E no rosto dele, as gotas escorriam devagar. Ele não queria que fosse assim, ela também não. Ela roçou as pontas dos dedos na madeira da porta e sussurrou: Eu te amo tanto. Ele virou as costas e sentiu as palavras queimarem no seu peito, e lentamente foi-se da porta dela, com os olhos molhados e uma canção triste nos lábios: "Cuide bem do seu amor, seja quem for..."

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