... Porque com palavras pode-se voar.

12 de julho de 2011

Feridas

 É curioso como algumas feridas profundas são tão irônicas. Se você tiver uma faca dentro do peito, esta pode causar sua morte, comprometendo órgãos e tecidos vitais. E com a dor latejante seu primeiro reflexo será arrancar a lâmina intrusa de seu corpo, porém, pode ser sua pior escolha. Pois a faca pode até ser a causadora do sofrimento, mas também é o único objeto que, se imóvel, pode te salvar de uma grave hemorragia interna. Ela te perfurou, mas não a toque; ela está estancando o sangue dessa ferida.
E como lâmina fria no meu corpo quente você me rasgou. Violentou-me. E as mágoas foram te empurrando para dentro, aprofundando o corte. Eu brinquei com o perigo, e saí ferida. Ferida de qual eu não pude te arrancar.  Você a causou e de lá não poderia ser removido. Eu escolhi não te afastar. Ter-se-ia de ser assim, e eu aguentaria.
Entretanto, seus planos não andavam em sintonia com os meus. Muito menos seu coração. Você preferiu partir, e sem dó de meu corpo, que um dia já lhe foi tão desejado, segurou firme no cabo e a puxou de súbito. Tão de súbito que só percebi quando vi as vestes encharcadas...
Sobreviver, eu sobrevivi. Eu me curei. Eu aprendi a ser forte. Mas de ti sempre tenho a lembrança, aquela que não cura, aquela cicatriz eterna.

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