... Porque com palavras pode-se voar.

27 de fevereiro de 2012

Cry

Rihanna - "Cry"

Agora eu estou nesta condição
E eu tenho todos os sintomas
De uma menina com o coração partido
Mas não importa o que, você nunca vai me ver chorar

Aconteceu no nosso primeiro beijo?
Porque esquecer tudo está me machucando 
Talvez porque passamos muito tempo juntos
E eu sei que não acontecerá mais

Eu nunca deveria ter deixado você me abraçar, baby
Talvez seja por isso que eu estou triste em nos ver separados
Eu não me dei a você de propósito
Não consigo descobrir como você roubou meu coração

. . .

23 de fevereiro de 2012

Bateu saudade...

    E eu decidi ir matá-la. Não sei se posso chamar formalmente o que aconteceu, este deslise, de "recaída". Quero dizer, em parte foi, afinal eu caí novamente, recaí no encanto. E essa foi, de longe, a parte boa. Só tenho medo de nunca ser imune a isto. De nunca conseguir manter as coisas verdadeiramente simples, medo de que nunca tenha saída desta aflição, de sempre me deixar levar pela fuga para uma realidade melhor...
    Bem quando estava colocando meus assuntos ordenados! Sempre parece que é só mais um convite para você vir e bagunçar. E eu fugi. Fugi de tudo e escondi meus rastros. Fugi dos problemas, do correto, do justo. Novamente, fugi para seus braços, admitindo, porém ignorando, meus medos, os riscos e consequências. Chamou-me e eu fui. Puramente instintual.
    Os sentimentos voltaram (se é que um dia se foram). E a antiga paz que encontrava neles, também. Senti-me fraca e insegura, mas a sensação era boa, pois havia de fato alguém para me assegurar. Cuidar. Estava frágil, entretanto de uma felicidade infinda.


    Encontrei-me envolta em um ambiente já muito familiar, tão confortável e tenso ao mesmo tempo. Paradoxo confuso que criou-se entre nós. E mesmo assim, um alguém hospedeiro, um lugar conhecido. Estava em casa.
    E é sempre bom estar em casa.


"No vão das coisas que a gente disse
Não cabe mais sermos somente amigos
E quando eu falo que eu já nem quero

A frase fica pelo avesso
Meio na contra-mão
E quando finjo que esqueço
Eu não esqueci nada

E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro

Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na sua vida"
(Quem de nós dois - Ana Carolina)

21 de fevereiro de 2012

Inconclusivo

    A estação é veraneia. O clima quente da noite abre os poros, atiça a libido das almas envoltas no perfume e na música. A lua, como um farol incandescente, despeja um véu fino de brilhosidade sobre todos as silhuetas, destaca-as da monocromática noite. É época de viver loucos amores, de bater de frente, se jogar no momento, aproveitar o presente como se o amanhã nunca fosse chegar, e como se nunca tivesse houvido um passado. Sem cargas. Os jovens se aventuram com o espírito de uma folha em branco, pronta para ser preenchida, linha por linha. Sem roteiro, rascunho ou título.
    Por entre as leves e cintilantes almas do verão cruzava um ser quase inanimado. Ela andava fincando os dois pés a cada passo. Pulando duas batidas a cada pulso. Antonita, parecia vestida de olhos de vidro, que só sabiam observar por função biológica, entretanto a nada se comoviam. Como pareciam de outro mundo aqueles olhos! De uma beleza infinita de tão incrédulos, inconclusivos. Acomodou-se em um banco de madeira vazio, que instantaneamente ao toque estalou. Era como jogar um cubo de gelo na grelha quente.
    Ela não pertencia mais ali. E nem mais a lugar algum. Não conseguia dependurar-se em pensamentos bons e flutuar no calor da estação porque havia perdido o segredo. Tanto fez de flutuar por aí no passado, distraída, desarmada, que perdera o jogo. Apaixonou-se uma, duas, três vezes. Amores que vieram, transformaram, e partiram. Ela não era mais uma folha em branco. E já não havia mais linhas para outra história.
    Havia se entregado demais. De corpo, coração, alma, intelecto e destino. A hora de guardar-se para si mesma chegara. Ela já não era um participante do jogo, e sim um observador, um visitante. Ignorava as regras e fugia dos compromissos. Decidiu trancar o coração. Por isso, mesmo ela estando sentada lá, era como simplesmente não houvesse presença.


      Não que ela escolhera isso tudo, foi de simples escolhido para ela. E por mais que empenhe todas suas forças em estar capaz de seguir em frente, nem tudo é possível de se apagar. Uma folha que fora escrita pode até ser apagada, porém nunca volta a ser totalmente vazia, sem marca alguma. O grafite desaparece, mas a ponta do lápis insculpe tudo em gravuras. E o branco nunca volta a ser tão branco.

14 de fevereiro de 2012

Bagagem

    VAI PASSAR.
    ... Só não passa se você não deixar de entender. De pensar. De resolver. De tentar... Deixa para trás. Deixa para lá. Deixa o tempo passar devagar preenchendo as lacunas vazias, dissolvendo os terríveis dilemas, recosta os ombros e descansa a mente. Sem correr, sem forçar, sem querer pular etapas. Como disse Cássia Eller: "Nem desistir, nem tentar". Porque, inevitavelmente, inegavelmente, VAI passar. Não de repente. Entretanto, eventualmente.
    Afinal, quem é que sai de nossas vidas sem deixar para trás alguma bagagem? Somente os que nos visitam e são incapazes de modificar algo. E aqueles, melhores, marcantes, se hospedam e moram em nós por um certo tempo, e sempre deixam algo conosco. "Esquecem", sejam leves detalhes, ou vidas inteiras, dentro de nós. Essa é a bagagem que nos fica de souvenir. Bagagem, que como aquela roupa velha que provavelmente você não vai usar mais, você não joga fora. Você guarda porque significa algo.


    A cama fica desarrumada, as pegadas no assoalho. Fotos mentais, frames, lembranças... E mesmo que de vez em quando pareça que nada nunca vai estar de novo no lugar, a gente se engana. A gente humanamente se arrasa com perguntas que não sabemos responder. As fraquezas e os limites existem. Não descartemos que os recomeços também.
   E toda vez que este sentimento devastador se apossar de mim, fecharei meus olhos. Encontrando dentro de mim mesma algo que nunca vai me deixar, onde quer que eu vá: um paraíso. Um lugar nosso, telepático. Concentração. Paciência. Focando-se tanto até ultrapassar as barreiras reais e começar a sonhar. Até finalmente descansar. 
    E estar pronta para outra.

10 de fevereiro de 2012

Status: Indisponível.

      Do que adianta me pegar repassando essa história, de novo e de novo, pensando em tudo que poderia ter dito para transformar o que houve menos errado? Viajando em tudo que poderíamos ter sido, de que poderíamos ter ido bem mais além. De nada é útil me fazer vivenciar tudo isso de novo. Porém, não é como se eu chamasse esses pensamentos, essa dor, e escolhesse continuar batendo na mesma tecla, em vão. As lembranças vêm até mim.
     E por mais que eu não lhe procure, meu cérebro consegue lhe achar nos locais mais inusitados... Como uma tortura. Seja sua cor favorita. Seja uma palavra que me lembre seu sorriso. As coisas que a ele mais agrada fazer. E aquilo que ele mais odeia. O jeito que ele gosta de dormir. O seu humor quando acorda. Toda sua essência, que deveria ser unicamente só dele, não é mais. Fez parte de mim no momento em que assumi estarmos ligados. Do mesmo jeito que uma grande parte de mim já também não controlo, não me pertence...
     Não é preciso ser um gênio para perceber que as coisas do passado não voltam... Então porque eu consigo entender isso, mas não executar? Sabe, para quem vê, pode parecer ser muito fácil seguir em frente. Mas, na verdade, isto é de uma complexidade imensa dividida em várias fases e presságios. No começo eu realmente achei que eu poderia suportar tê-lo por perto. Encontrar-me com ele casualmente, sem querer, querendo. Acreditei que seria mais fácil passar por tudo com alguém como ele ao meu lado. E, realmente, é mais fácil. Só é difícil quando ele está ao meu lado sem ser meu. Extremamente difícil. Sabia que aceitar que as coisas não são mais como antes iria doer. Mas descobri que a sensação é bem pior. Muito pior. Descobri que vê-lo é só mais um passo para a recaída. E que seria impossível me reerguer se não lhe deixasse para trás. Imaginava que, se sem ele era ruim, com meio-ele deveria ser, em algo, melhor. Achei que podia ser mais ou menos parte de sua vida. Mas, a vida, meus caros, não funciona assim. A vida não anda sobre "quases". Ninguém é completo com "um pouco". "Meio" desapegar não põe um fim na dor. E estar "legal" não é estar bem. Depois de tanto tempo sendo seu precioso troféu, como eu poderia aceitar o 2º lugar? Não, não. Já deu de ilusões. É tudo ou nada.
     Ficar ao seu lado me faz bem (até de mais), continua me fazendo, como antes me fazia, isso não vai mudar. Ele sabe me fazer feliz. Entretanto, todo o resto que mudou, me dá vontade de arremessar coisas, apagar por dias, fugir para longe, desaparecer, sumir. Quero matar... o que resta de você em mim. Nem que eu perca as nossas melhores lembranças. Porque sinto que se eu não o fizer, quem morrerá dentro de mim serei eu mesma.
     Não estou pronta para desapegar. Porque se eu estivesse, não seria essa luta todo o dia para manter-me estável. Esse esforço para conter as lágrimas. Essa culpa por não poder desfazer o que foi feito, esquecer o que foi dito. Sei que, com o tempo, se tornará suportável, e depois mais fácil, até que ninguém mais possa perceber traço algum de tristeza...
  Mas os "porquês" que ficaram entre nós, e toda a dor que eles representam para mim, jamais irão embora.

" Vou me perdendo. Buscando em outros braços, seu abraço. Perdido no vazio de outros passos..." (Caetano Veloso)