... Porque com palavras pode-se voar.

3 de julho de 2011

Curinga

Um baralho comum tem 53 cartas. Entre elas, 4 famílias, que contém cada 13 representantes únicos, e que se completam. Cada carta está altamente relacionada com as outras. Por exemplo o Ás de Copas, que é membro vital da família de Copas, e também é semelhante aos ases de Paus, Ouro e Espada. Mas entre as cartas comuns, existe um membro que não se encaixa em nenhuma das famílias, e não tem nada em semelhante com as outras cartas: o Curinga.

Quem nunca se sentiu um curinga? A carta vazia do baralho, sem face, sem naipe, sem número. Quem nunca tentou, tentou, mas nunca conseguiu encaixar-se? Quem nunca sentiu-se sozinho, mudo ou invisível numa multidão? Esse mundo que parece ser tão farto de oportunidades, pode se tornar um quarto fechado à cadeado e sem janelas para pessoas que não conseguem se identificar com nada ou ninguém. E a tristeza de olhar à sua volta, de olhar às telas e assistir sozinho ao resto do mundo entrelaçando-se, e a frustração de olhar para sua própria vida e não se lembrar de ter ninguém tão próximo ali para os piores momentos acabam acorrentando toda e qualquer auto-estima do curinga, que acaba aceitando que seu fim é destinado à ser frio, solitário e escuro. E que ele é só mais um bobo-da-corte roído, que não é mais útil.
Eu não sei sobre vocês, mas eu sei o que é se sentir assim. Sei que não é fácil sentir a dor aguda no peito, as lágrimas úmidas no rosto quente, e se achar no fim de uma estrada sem ter ninguém para te escutar chorar. E esse mesmo quadro que acaba sendo repetitivo ao longo dos dias, até ser quase insuportável ver a felicidade dos outros, e se perguntar "O que há de errado comigo?" ou "Por que não eu?". E ter o poder de, subitamente, acabar com tudo isso é tentador, mesmo que lágrimas ardosas acompanhem um eco que ressoa, incansável : Será que alguém sentirá falta se eu partir?

(foto: @laylacastro)

2 comentários:

  1. Me diz porque me identifico tanto ctg?

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  2. Devia rolar um botão de like nos posts do seu blog, sério!

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